terça-feira, 3 de maio de 2011

Escola de 'primeiro mundo' é mantida integralmente por doações no Paraná

"Uma escola para a cidadania é essencial, pois imaginar que alguém seja ignorante ou analfabeto funcional e cidadão ao mesmo tempo é um equívoco trágico, cometido com frequência no Brasil" – a definição é do professor Belmiro Valverde, a mente por trás do Centro de Educação João Paulo II.
A escola fica no município de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, onde o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica marcava 4 pontos até 2010. Junto a alguns outros municípios, beirando as piores notas do país.

O bairro escolhido é pobre: ao sair da escola não há calçada, nem pavimentação na rua. A solução prometida no ano passado ainda não apareceu. O prefeito Gabriel Samaha (Gabão) não foi localizado.

Há um ano, para erguer as paredes projetadas pelo arquiteto Manoel Coelho, empresas e 120 voluntários abriram a carteira. Nenhum dinheiro veio ou vem do governo. Coelho projetou grandes universidades em Curitiba, como PUC e Positivo. O projeto da escola foi feito de graça.
Ao centro, professor Belmiro Valverde, no dia da inauguração. (Foto: Felipe Pinheiro)Ao centro, professor Belmiro Valverde, no dia da
inauguração. (Foto: Felipe Pinheiro)
 
“Uma verdadeira cidadania só pode existir quando as pessoas são educadas para ela”, diz Valverde. As doações somaram R$ 1,7 milhão, dinheiro que construiu uma “escola de primeiro mundo” – na constatação da gestora pedagógica do Grupo Bom Jesus, Giselle Hummelgen.
As salas estão bem equipadas: computadores, biblioteca, brinquedoteca, quadras para esportes, materiais. Caminhos para trabalhar conjuntos mais complexos do que o currículo obrigatório. Caminhos abertos para portadores de necessidades especiais: tudo é adaptado.

Bom Jesus e Sesi Paraná são parceiros em particular. O projeto pedagógico ficou com o primeiro e o segundo empreende um programa de ação social em conjunto com o Centro.

Nenhum dos fundadores têm objetivos políticos, como uma candidatura no futuro, garante o professor. Em um ano, a escola recebeu cinco certificações de utilidade pública, duas delas sancionadas por lei (uma municipal e outra estadual).
Aniversário
Fila na festa de aniversário da escola, em abril de 2011. (Foto: Felipe Pinheiro)Fila na festa de aniversário da escola, em abril de
2011. (Foto: Felipe Pinheiro)
 
Neste mês Centro de Educação João Paulo II faz um ano. Em 2011, o segundo ano letivo. São 60 alunos da escola infantil, entre três e cinco anos de idade, selecionados pelo critério da renda familiar – quanto menor a renda, maior a prioridade para a matrícula. E em regime de contraturno, outras 100 crianças, alunas da Escola Municipal Julia Wanderley, seguem para o Centro – metade pela manhã, metade à tarde.
Os 160 alunos do Centro têm uma jornada escolar diária de mais de oito horas, a mesma dos países desenvolvidos e duas vezes maior do que a jornada comum nas escolas brasileiras.
O orçamento para este ano é de R$ 670 mil, valor que será coberto integralmente por doações de parceiros e voluntários. "O custo por criança é aproximadamente o mesmo que o Estado gasta em uma escola da rede pública", explica Valverde. "Mas, no Centro, elas estudam em regime integral e recebem três refeições por dia, tudo de graça".

Para manter tudo funcionando, a diretora Elizabeth Castor comanda uma equipe de 20 profissionais contratados; sete deles são professores com curso superior, especializados em educação infantil. O Sesi mantém ainda uma equipe de cinco pessoas, também com formação superior, para as atividades de contraturno, as extracurriculares e os programas comunitários.

A associação criada para gerir a escola "não tem nem quer lucro". Dirigentes e associados não recebem qualquer remuneração, de qualquer natureza. “Nosso salário espiritual é mais do que suficiente, pois sabemos que estas crianças estão se desenvolvendo a cada dia, com o fermento de uma boa educação”, esclarece um dos oito fundadores do Centro e diretor Financeiro da mantenedora, Flavio Prestes.

Os telefones para mais informações são (41) 3079-7810 e (41) 3399-5409.

Fonte: G1

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