quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Buscar ilustrações e criar vínculo afetivo ajudam a formar crianças que gostam de ler

Quando Luisa tinha seis anos, ouviu sua mãe contar uma versão de "A Bela Adormecida" que achou diferente. Era mais rica nos detalhes, trazia passagens que ela não conhecia.

A mãe, Maria José Nóbrega, autora de livros infantis e especialista em literatura, explicou que a versão se tratava de uma tradução do conto original dos irmãos Grimm. A partir desse dia, Luisa, que hoje tem 27 anos, passou a preferir sempre versões originais de clássicos. 

Maria José explica que nem sempre as adaptações são ruins, mas que elas costumam ter reduções. Em alguns casos, passam por um filtro do "politicamente correto" que as empobrece. 

"Os pais não devem se deixar levar pela onda do politicamente correto, porque os textos são simbólicos e as crianças não são tolas, sabem que aquilo não é real." 

Apesar de o mercado editorial brasileiro ter diversas opções de bons livros novos, os clássicos continuam sendo recomendados pelos estudiosos de literatura infantil. 

"Os clássicos ajudam no sentido de explicar situações típicas da infância, como o medo, o mal, o bom", diz Ana Teberosky, professora catedrática de psicologia evolutiva e de educação da Universidade de Barcelona. 

Além disso, livros atuais fazem referência a eles, por isso é importante que a criança tenha esse repertório. 

Para formar um adulto leitor, é interessante que o momento da leitura em família tenha um vínculo afetivo, diz Beatriz Cardoso, presidente do Cedac (Centro de Educação e Documentação para a Ação Comunitária).
Ela sugere que, se possível, os pais separem um momento do dia para ler com os filhos. "O importante é que se crie uma rotina."
Regina Zilberman, professora-colaboradora da UFRGS (federal do Rio Grande do Sul) e especialista em literatura infantil, completa: "Às vezes, o livro é um elo de ligação entre adulto e criança e entre irmãos." 

Frequentar livrarias e bibliotecas é importante para que a criança possa folhear os livros, criando uma relação mais íntima com eles, segundo Márcia David de Souza, coordenadora do maternal do Colégio Santo Américo (zona oeste de SP). 

A imagem também é um fator de atração para a criança e facilita o entendimento da história, principalmente na fase de alfabetização. Angela Lago, uma das mais respeitadas ilustradoras de livros infantis, conta que tem essa preocupação. "Se você desenha bem, a imagem se torna uma mapa da leitura." 


Fonte: Folha.com

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