terça-feira, 26 de outubro de 2010

Maus-tratos e mal-entendidos

"Ele fez uma advertência para que não haja maus entendidos e disse que a recomposição das relações passa por um 'respeito total' à Venezuela."

Não são poucas as vezes em que redatores erram ao grafar a palavra “maus-tratos”. É comum aparecer no seu lugar a forma “maltratos” – inexistente, diga-se de passagem. “Maltrato” existe, mas é uma forma verbal: “Eu não maltrato os animais”. O substantivo é composto e escreve-se sempre no plural: “maus-tratos” (“Fulano foi vítima de maus-tratos”).

É possível que o redator tenha feito algum tipo de associação entre coisas díspares e chegado à grafia incorreta registrada no fragmento em epígrafe. No fundo, está em jogo a velha distinção entre “mau” (contrário de “bom”) e “mal” (contrário de “bem”). Vejamos por quê.
Na expressão “maus-tratos”, o adjetivo “maus” qualifica o substantivo “tratos” (daí a concordância entre eles). Os dois elementos, adjetivo e substantivo, juntos constituem um substantivo composto.

Na origem da expressão “mal-entendido”, é o advérbio “mal” que modifica a forma verbal “entendido” (aquilo que foi entendido de maneira incorreta ou inadequada). Os dois elementos, advérbio e verbo, juntos constituem um substantivo composto.  No plural, somente o segundo elemento se flexiona, dado que advérbios são formas invariáveis.

Veja, abaixo, o trecho corrigido:
Ele fez uma advertência para que não haja mal-entendidos e disse que a recomposição das relações passa por um "respeito total" à Venezuela.

Fonte: Por Thaís Nicoleti, retirado do site UOL Educação.

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